segunda-feira, outubro 26, 2009

Saibamos pois ser iguais a nós próprios, crescendo agora.



Meus Velhos,

"Ouço-vos" como sempre com atenção redobrada.

De vós e em vós sinto a minha voz.

Neto duplamente, filho e pai de ex-alunos, eu, ex-aluno me confesso.

E se em cada um seu próprio ser, foi no segredo do crescer “parte de nós e em nós” que aprendemos a falar a uma só voz.

No entanto, por mais ética, poética ou épica que a nossa formação tenha sido, nós só mudamos o tempo quando de facto acontecemos.

E acontecemos colectiva ou individualmente, acontecemos enquanto gente, pais, profissionais ou cidadãos.

O nosso testemunho é inverosímil e aleatório, creio, porque sempre acreditámos que a verdade "vem ao de cima" e que "se fará justiça". Acreditámos que havia uma ordem de equilíbrio. Foi assim?

Entretanto quanta surpresa e choque quando na verdade tudo pode ser uma grande mentira.

E assim será sempre "o copo meio cheio e meio vazio" o que a mim nada me satisfaz.

Afinal, o que é pode não ser e o que não é pode ser?

A mim isto revolta-me.

Chega de compactuar com a resultante óbvia de todos os eventos que nos podem unir pela negativa.

Não sou contra quem é contra, reajo ao desafio, mas para esses dispenso apenas o meu respeito pela sua ignorância e intencional perversão. Esses são um mal menor, apenas a não subestimar. "Deles será o reino dos céus".

Sou contra quem é a favor da não mudança.

O Colégio é um ser vivo e como tal tem no seu estado de saúde altos e baixos.

Hoje, qualquer sinal de violência é doença. Não há nuance neste facto. Auto defesa, agressividade e afirmação, virilidade (sem género), e tudo ao serviço da paz, estão bem e são essenciais. Fora disto é comprometer presente e futuro. O passado, esse, respeita-se nas mensagens, lições e exemplos de carácter que nos pode trazer, mas não se imita, porque chega até nós descontextualizado.

Há muita e gratuita violência na nossa actual sociedade, despotismo, roubos e violações nas escolas. Isso tem de acabar no mundo inteiro e em cada comunidade, terra, país ou cidade, à vez.

Esta gradação da mudança criará ilhas de evolução.
Os primeiros a saber mudar farão a diferença.

Acredito que o ser humano, na sua vertente animal, tem como motor de muitas das suas actuações a imitação irracional, mesmo em assuntos que pressupõem análises até muito racionais.

É aqui que a mudança deve começar, uma actuação não bloqueada encontra na sequência de eventos que a antecede, mesmo que remotamente, a justificação ou dúvida que garantem a tolerância e ou não reacção à respectiva prática.

Repito, hoje qualquer manifestação de violência é doença.

Por perversão e imitação existe violência nas escolas de Portugal.

Por imitação existe violência no Colégio Militar.

Aqui, pela natureza formativa de uma escola de valores, estes actos são sempre e de algum modo reflectidos, ainda que sob profundo equívoco.

Por exemplo, deixar uma filha de 11 anos à porta da sua escola rezando para que ela nesse dia não seja violada não deve ser fácil. A zona é muito pesada e não se pensa nisso a não ser ao de leve: "ela é rija, sai aos seus, com ela ninguém se mete". Isto altera a realidade? Não! E permite sobreviver? Sim, a alguns. Provavelmente ilude mais os pais dos que os filhos.

Deixar um filho de 13 anos na cancela de um colégio rezando para que "as coisas não se descontrolem" porque os valores que estão em causa valem a pena, é fácil?

Para mim não foi.

E pensar: "ele é rijo e não há-de acontecer nada de mal", altera a realidade? Não. E permite sobreviver? Sim, a alguns, mas ao tal colégio seguramente que não.

Daqui para a frente o assunto não tem discussão. Como mudar? Como em tudo: 1) onde estamos, 2) onde temos de chegar, 3) e como?

Quando? Ontem!

(Uma dica prática, válida ou não: artes marciais intensíssimas nos nossos colégios militares desde o inicio. Com verdadeira escola são uma excelente maneira de banir a cobardia, responsabilizar a agressividade natural à sobrevivência e afirmação dos valores da vida, e repudiar, bloquear e conter todas as formas de violência.)

Sob holofotes o colégio revelará os seus superiores valores, até naqueles que por capricho dos tempos serão julgados por todos nós. Repito, julgados por todos nós que de uma forma ou de outra pactuámos com a não descontinuação radical de práticas de risco.

Reafirmo, hoje qualquer manifestação de violência é doença.

Nos Colégios Militares de Portugal estou convicto de que irá haver uma mudança profunda, uma ruptura total com práticas de risco, mesmo que apenas e tão só insinuadas. Será uma mudança de paradigma e não só uma alteração de condutas. E isto acontecerá de imediato, com a ajuda, o envolvimento e arrependimento de todas as gerações vivas, o empenho de todas as comunidades envolvidas, e, aos olhos de todos e debaixo da maior visibilidade.

Aos que nos atacam não deverá ser dado descanso ao seu protesto, só assim se garante a maior visibilidade à justiça que será feita.

Quando? Esta mudança já começou e irá estar concluída quando em cada um de nós não existir qualquer dúvida sobre estas matérias.

Eu por mim não duvido que os valores do Colégio farão deste um Ser sobrevivente capaz de ultrapassar mais um "salto evolutivo". As condições exteriores de compactuação com práticas de risco mudaram bruscamente, só sobreviverão, entre os mais fortes, os que aportarem características dos tempos que advêm.

Os nossos Colégios Militares, Pupilos, Odivelas e Colégio, não serão dinossauros nestes tempos de escuridão.

A falta de luz das sociedades actuais só será contraposta nas grandes escolas e ultrapassada por elevados valores, ideais e graus de exigência.

Os nossos colégios inscrevem-se nesse grupo de escolas, saibamos arcar com a responsabilidade de sermos contemporâneos com o actual momento.

Os nossos camaradas que serão julgados por nós, ademais na praça pública, terão pouca culpa se comparada à nossa que os precedemos, no mínimo, na dúvida, e de todos os que depois deles não evoluam e cresçam com a lição do seu exemplo.

A esses nossos camaradas, a justiça “cá de fora” não pune mais do que a eles a sua consciência segura e implacavelmente já punirá. Estou convicto que isto será constatado e, com surpresa, observado pelos tribunais, que irão perceber que estarão a julgar todo um sistema educativo, tomando como foco o Colégio Militar, e todos sabemos porquê, e “no quadro das prioridades de política criminal - violência escolar” julgando só agora a velhíssima “palmatória” e os seus inevitáveis abusos.

Pesado fardo para estes nossos camaradas. Qual avestruz deixámos que isto lhes acontecesse.

Aos filhos de seus pais, nossos camaradas e iguais, que sofreram no corpo e alma como nós, o resultado dos equivocados excessos, só as verdadeiras manifestações de camaradagem por todos nós poderão devolver a paz que julgo, neste momento e para sempre, seriamente comprometida.

Eles terão de ser doravante parte da solução e de forma nenhuma parte do problema.

Assim, todos e cada um de nós e os graduados e alunos em causa, seremos responsabilizados por pensarmos como pensamos.

Saibamos pois ser iguais a nós próprios, crescendo agora.
ZACATRAZ

17/1967 João Eduardo Correia Barrento Sabbo

quinta-feira, outubro 08, 2009

É hoje!! jantar a 08OUT2007, 5ªFeira! 20:30



Pessoal,

é hoje no Jardim da LUZ às 20:30 e estão várias presenças (surpreendentes) confirmadas!!


(em 2008 a rentrée foi a 12OUT, este ano começamos mais cedo e com mais força!)


Um zacatráz para todos,

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